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A capital das festas

Para atenderem ao alto padrão dos megaeventos da cidade, que quadruplicaram nos últimos cinco anos, fornecedores locais adquirem know-how único e são disputados por clientes de fora do Distrito Federal

 Narciza e Valéria Leão: as irmãs dão o toque final ao cenário do casamento de Fernanda Bittar e Bruno Mello, uma cerimônia com produção 100% brasiliense (Foto: Michael Melo)

 

07.mar.2014 11:13:08 | por Clara Becker

No princípio eram a poeira, espaços vazios e festas. A nova capital ainda estava sendo criada, mas já demonstrava sua vocação para comemorar. “Não tínhamos o que fazer. Receber as pessoas em casa era a única opção de entretenimento. Por isso, ficamos bons nessa área”, diz Moema Leão. Ela esmerava-se tanto na arte da celebração que mantinha uma boate dentro de casa. Anfitriã de muitas noites de gandaia, momentos marcantes das crônicas de nossa cidade, Moema foi uma das que ajudaram a desenhar os contornos da corte em Brasília. Na posse dos presidentes, depois do baile de gala no Itamaraty, era para a residência dela que todos se dirigiam. Autoridades incluídas. “Tancredo Neves não foi porque ficou doente. Fernando Collor chegou a confirmar presença, mas não deu as caras”, lembra Moema. Melhor assim. O recém-empossado governante tinha acabado de anunciar o desastroso confisco da poupança. Apesar disso, a animação da dona da casa não deixou o clima fúnebre do país afetar a sua festa. O show tinha de continuar.

Duas décadas depois, essas recepções privês passaram a alimentar um setor de números ostentosos. Segundo dados da Associação dos Profissionais, Serviços para Casamento e Eventos Sociais (Abrafesta), o nicho movimentou cerca de 16 bilhões de reais no país durante o ano passado. Com 100 milhões de reais gastos apenas com casamentos, o carro-chefe no mundo das celebrações, o DF assegurou o terceiro lugar no ranking das unidades da federação que mais gastaram em 2013.Considerando a despesa per capita, os brasilienses assumem a liderança do segmento. O levantamento da Abrafesta mostra que o conjunto de eventos daqui custa 174% mais que a média nacional. Em Brasília, uma festa padrão AAA para 300 pessoas não sai por menos de 200 000 reais. A partir daí, o céu é o limite. E por limite entendam-se valores com sete dígitos. Tais cifras contribuíram muito para que o mercado local de eventos quadruplicasse de tamanho nos últimos cinco anos. “Só me irrito quando dizem que é um setor supérfluo. Nós geramos muitos empregos”, garante o cerimonialista Cesar Serra, há trinta anos no ramo e idealizador da feira Luxo de Festa, uma das principais do Brasil. De acordo com ele, uma cerimônia para 600 pessoas produz cerca de 300 empregos diretos. Nas comemorações grandiosas, como o casamento de Tamara Gontijo, filha do empresário José Celso Gontijo, até 1 000 trabalhadores são contratados (veja o quadro abaixo).

Os regalórios em fotos 

Recepções brasilienses que marcaram a história da cidade 

Francisco de Souza (empresário), Moema Leão, Cauby Peixoto e Dulce Figueiredo na inauguração da Mansão Flamboyant, em 1982: estreia do serviço de manobrista (Foto: Arquivo pessoal)

O casamento de Tamara Gontijo e José Rudge, em 2010: o terreno comprado para receber os convidados sediou um palácio inspirado em Versalhes, onde as taças e louças usadas tinham sido feitas exclusivamente para o evento. Os gastos foram estimados em 10 milhões de reais (Foto: Celso Júnior)

Vivianne Piquet e Ivete Sangalo: show privê da cantora baiana no aniversário de 40 anos da anfitriã, em 2011. Convocar uma estrela ou bandas só para os amigos e familiares está em alta e ajuda a selar um encontro inesquecível (Foto: Bruno Stuckert)

 

 

A festa de 15 anos de Giovanna Adriano, em 2013: um tipo de evento cada vez mais parecido com comemorações de casamento. Só que a filha volta para dormir em casa (Foto: Bruno Stuckert)

 Os indicadores exuberantes, contudo, foram obtidos em um longo processo de desenvolvimento. Moema Leão conta que receber convidados, nas primeiras décadas da capital, significava virar-se com o que havia. Serviços de bufê, decoração, estilistas, convites e cerimonial inexistiam na cidade. Para as celebrações que exigiam pompa e circunstância, a matéria-prima e a mão de obra eram “importadas”. A fila de caminhões vindos do Rio de Janeiro, de São Paulo ou de Belo Horizonte denunciava os festeiros. Quanto mais veículos na porta, mais faraônica seria a patuscada. Ana Maria Gontijo, há 51 anos em Brasília, lembra a dificuldade de conseguir itens prosaicos como flores para ornar suas recepções nesse período. “Não tinha nada e a gente achava o máximo”, conta a famosa anfitriã. Manobristas e toldos, por exemplo, foram apresentados à sociedade local somente em 1982, quando Moema inaugurou a sua Mansão Flamboyant num evento beneficente. O mês era março, com suas temidas águas, e Dulce Figueiredo seria a patrona da cerimônia. “Eu não podia fazer a então primeira-dama estacionar o carro e subir uma ladeira de paralelepípedos a pé. Muito menos pegar chuva”, recorda-se a comandante da festa. A solução foi ligar para Divaldo Vieira, funcionário da Marinha que prestava serviço de segurança nos seus regalórios. Juntos, eles montaram um quadro de madeira com pregos, recortaram cartolinas com números para fazer etiquetas e, ali, nasceu o primeiro serviço de valet do Distrito Federal. A peça de lona para proteger os convidados das intempéries acabara de chegar à cidade e também teve sua estreia local nessa noite. “As novidades fizeram o maior sucesso. Os dois saíram do evento com a agenda cheia”, afirma Moema.

 

Celso Jabour: na fase inicial do seu bufê, usava prataria e louças emprestadas (Foto: Michael Melo)

 Vieira e João Grigório, o responsável pelo toldo, continuam no ramo. De lá para cá, abriram portas e deram abrigo a autoridades e famosos que pisaram em terras candangas. Trinta e dois anos depois eles engrossam a massa de fornecedores locais com capacidade de suprir a demanda dos eventos de proporções nababescas que a cidade passou a sediar com o aumento do poder aquisitivo local. Se houve um tempo em que era necessário trazer profissionais de fora, agora as carretas seguem na direção contrária. Moema passou o bastão para as filhas Valéria e Narciza Leão. A primeira herdou o bom gosto da mãe para ornamentos. A segunda, a capacidade operacional. “Elas são muito mais profissionais. Hoje não cabe mais amadorismo”, afirma a matriarca. Há quinze anos, as irmãs abriram uma empresa de organização e decoração de festas. Nos últimos cinco anos, sentiram o boom do mercado, e o Distrito Federal ficou pequeno. Em março, Valéria assinará a decoração do casamento de Gabriella Constantino e Luiz Paulo Leal, na histórica Estação Júlio Prestes, em São Paulo. O evento deslocará 90% do PIB de Brasília para a capital paulista. “Será um desafio”, admite Valéria. O fotógrafo Celso Júnior atuará nos bastidores da celebração desse matrimônio. Junto com Bruno Stuckert, ele entrou para uma lista de realizadores brasilienses de exportação. O segundo está com a agenda tomada até 2015, em uma programação que inclui até comemorações fora do país. Atualmente, há quem mude a data da festa para ter o olhar fotojornalístico desses dois.

  A arte de receber bem

 Com nove festas para mais de 1 000 pessoas no currículo e outras centenas de menor porte, Ana Maria Gontijo, uma das anfitriãs mais animadas da corte, divide seu savoir-faire

› Misture tribos e gerações na lista de convidados. Recepção com um só perfil de pessoas fica chata.

 › O bom anfitrião tem espírito jovem e prazer em receber. É ele quem garante o tom da patuscada.

 › Flores no ambiente são obrigatórias. Naturais, é claro. Em excesso podem ficar cafonas. Na dúvida, opte pelo simples.

 › As bebidas devem estar muito geladas sempre. Reserve Dom Pérignon e vinhos mais caros para jantares menores.

 › Anfitrião ou convidado sem assunto atrapalham um evento. Eles precisam estar bem informados sobre o que acontece no exterior, no país e na cidade.

 › É bom trabalhar com a mesma equipe de garçons. Assim ninguém fica perdido e todos podem atender melhor e mais rapidamente ao gosto dos convidados assíduos da casa.

 › Mimos personalizados, como caixinhas de fósforos, sabonetes e porta-guardanapos, agradam a todos.

 › Não leve flores para o anfitrião no dia da festa. Elas podem não combinar com a decoração. Deixe para mandá-las uma semana depois, quando as do evento estiverem murchando.

 Ana Maria: flores naturais, bebida muito gelada, pessoas informadas e mimos na saída (Foto: Acervo pessoal)  Profissionais disputados só aumentaram a projeção nacional e internacional das festas brasilienses. Um dos decoradores preferidos da elite carioca, Antonio Neves da Rocha não tem dúvida sobre a força dos eventos locais. “Em Brasília, tem rigorosamente tudo de primeira linha. As comemorações são gigantes, maiores do que no resto do país. Acho que é por causa do tamanho dos terrenos.” O DJ sueco Avicii, o número 1 da parada eletrônica da Billboard, saiu do Brasil com impressão parecida. Ele tocou na festa dos 16 anos de Luiza Estevão, filha de Luiz e Cleucy, e disse nunca ter visto coisa igual. “Poucas cidades no Brasil têm o nosso patamar. O padrão das festas comuns em Brasília corresponde ao das de banqueiros no Rio ou em São Paulo”, diz o arquiteto e decorador de eventos George Zardo, que em alguns anos chegou a fazer mais festas fora do que dentro do quadrado que delimita a capital. Segundo ele, aqui não cabe um estilo rústico-sofisticado, comum nos eventos cariocas, nem despojamento. A palavra de ordem é suntuosidade. “Brasília tem 53 anos; todo mundo é novo-rico. As grifes são importantes. As famílias pioneiras não conseguem casar seus filhos sem chamar menos de 1 000 pessoas”, explica Cesar Serra. Profissionais de festa como ele transitam com desenvoltura entre a sociedade local e a Brasília política. Por isso, a figura do cerimonialista tornou-se obrigatória. Ele conhece todas as autoridades, quem é governo e oposição. “Já tive de fazer dança das cadeiras para não pôr réu e acusação na mesma mesa”, conta Marcelo Pimenta. Responsáveis pela coordenação de eventos, ele e Serra viraram maestros de orquestras sem ensaio nem bis. “Os políticos são adeptos dos três “esses”: surgir, sorrir e sumir”, diz Serra, que já salvou o então vice-presidente Marco Maciel de um banho. Por causa da chuva, um bolsão de água se formou no toldo em cima da cabeça de Maciel. Como o padre não parava de falar, o cerimonialista pediu ao jardineiro da casa que retirasse a água com uma mangueira.

 Maria Amélia: 200 bolos em um fim de semana e trufas diet para a presidente (Foto: Roberto Castro)

 Essa busca por “sinfonias perfeitas” na administração de festas tem seu custo. “Nós viramos escravos do nosso grau de exigência. E quem sofre é o bolso”, conta Celso Jabour. Há 21 anos ele comanda o bufê Sweet Cake, um dos maiores da cidade, com estrutura para organizar eventos para 4 000 convidados. Quando começou, dez garçons serviam 150 pessoas. Agora, o mesmo grupo demanda trinta garçons. “Tudo tem de estar à mão”, afirma Jabour. Ao longo dos anos, o empresário aprendeu que bufê não é só comida. “Para alguns, a mise-en-scène é mais importante”, diz. Ele deve seu nível de excelência à sofisticação dos consumidores. Com a embaixatriz Lucia Flecha de Lima, aprendeu a pôr uma mesa digna do Palácio de Buckingham. A prataria e as louças pegava emprestadas de outra cliente. Uma terceira, certa vez, lhe ensinou: “Celso, quantos braços o garçom tem?”. “Dois”, ele respondeu. “Então por que ele está carregando três pratos?”, ela replicou. Marly Sarney, esposa do ex-presidente e atual senador José Sarney, não passa um aniversário sem a torta de salmão defumado de Jabour. Não à toa, o bufê brasiliense abriu durante cinco anos a temporada da Ilha de Caras, em Angra dos Reis (RJ). Quem também passou a lidar com um público cada vez mais exigente foi a doceira Maria Amélia Dias. Nascida em Bambuí, município do interior de Minas Gerais com 22 000 habitantes, a empresária e seus 106 funcionários produzem até 100 000 quitutes açucarados e 200 bolos em um único fim de semana. A quantidade seria suficiente para ela abastecer sua cidade natal. Na polêmica e dispendiosa viagem da presidente Dilma Rousseff ao Vaticano para a missa inaugural do papa Francisco, em março do ano passado, doces finos de cupuaçu de Maria Amélia acompanharam a comitiva presidencial. A doceira que fez os dois aniversários de Gabrielzinho, neto da presidente, sabe que não podem faltar trufas diet para a vovó importante.

  Marcelo Pimenta:malabarismos para evitar saia-justa (Foto: Roberto Castro)

Apesar do expressivo desenvolvimento do mercado de eventos, ainda existem alguns artigos que precisam ser importados. Mobiliário diferenciado e lustres de cristais Baccarat continuam a trafegar pelas estradas do país rumo à capital. Algumas plantas decorativas também. Líder no ranking do uso per capita de plantas, o Distrito Federal ainda importa 80% do seu consumo de flores. Somos autossuficientes em espécies tropicais, hortênsias e copos-de-leite, mas orquídeas, rosas e gérberas vêm de fora. Está querendo fazer parte desta festa? Fica a dica.

Fonte: VEJA BRASÍLIA

fev 2014 24

Para os Associados SINDEVENTOS desconto de 15% nas mensalidades.

fev 2014 21

Segundo matéria do Brasil Econômico, a publicação da Medida Provisória 627 no D.O.U acendeu um sinal de alerta no meio empresarial.

Especialmente no que respeita as alterações na legislação de tributos (IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Confins), que entre outras mudanças sinalizaram para outras possíveis mudanças que podem elevar ainda mais a carga tributária. Essa foi a percepção de representantes da Fenacon (Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis), do Sescon (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis) e do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) que divulgaram um estudo sobre o impacto da unificação do PIS/Cofins na carga tributária do setor de serviços, no dia 13 de novembro passado.

De acordo com o levantamento, se o dois tributos fossem unificados pelo governo federal com uma alíquota de 9,25%, pelo sistema não cumulativo de apuração de impostos, o setor teria um aumento médio de 104% em sua carga tributária, com oneração de R$ 35,2 bilhões anuais.

“O setor de serviços seria mais impactado que a indústria e o comércio porque não tem insumos para fazer o abatimento desses tributos. A maior parte dos custos do setor de serviços está concentrada na mão de obra – que não gera créditos tributários de acordo com o regime não cumulativo”, afirma Sérgio Approbato Júnior, presidente do Sescon/SP, mencionando que atualmente a maioria das empresas do setor de serviços opta pelo regime cumulativo que tem alíquotas de PIS e Confins de 3,65%. ” Mas se forem obrigadas a migrar para o regime não cumulativo, elas estarão expostas a um crescimento exagerado de tributos, passando para uma alíquota média de 6,68%, diz. Fonte: Brasil Econômico.

fev 2014 21

Governo deverá liberar contratações por curto período sem registro em carteira.

As empresas que atuam no segmento de Eventos e Turismo, especialmente devido a Copa de 2014,  solicitaram ao Ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, que enviasse à presidente Dilma Rousseff texto de Medida Provisória para permitir a admissão de funcionários em períodos curtos sem registro em carteira.

O documento prevê a dispensa do registro para contratações limitadas a 14 dias seguidos, com teto até 60 dias ao ano.

Fique atento!

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